Nuno Gonçalves tem um novo desafio na carreira. O músico, cofundador dos The Gift, foi nomeado diretor artístico do Panorama, inaugurado no dia 28 de março. O recém-inaugurado pavilhão multiusos de Alcobaça foi concebido para funcionar como um polo dinamizador de iniciativas culturais, desportivas, económicas e sociais.
Este equipamento cultural, fruto de um investimento de 4,5 milhões de euros, representa uma aposta estratégica no desenvolvimento e na valorização da oferta cultural da cidade.
A visão de Nuno Gonçalves é clara: desenvolver uma agenda eclética e abrangente, capaz de cativar diversos públicos e fomentar uma dinâmica cultural permanente. O objetivo é transformar o Panorama numa plataforma vibrante, que receba desde grandes espetáculos musicais e artísticos até eventos de comédia e desporto.
Além de oferecer uma programação direcionada ao público em geral, o pavilhão pretende servir de apoio a grupos musicais e coletivos locais, disponibilizando-lhes condições para desenvolverem projetos e estabelecerem parcerias. A agenda detalhada será divulgada no início de maio.
O que representa o Panorama para a cidade de Alcobaça e para a região em geral?
Hoje ainda significa pouco porque acabou de abrir, mas queremos que signifique muito a médio prazo. Uma coisa é certa, a partir de agora podemos pensar maior, pensar numa ideia de cultura mais abrangente e sobretudo termos a noção que Alcobaça tem a oportunidade única de conseguir fazer algo muito importante, não apenas do ponto de vista cultural, mas do ponto de vista económico e social.
O torna este espaço especial, em comparação com outros pavilhões ou centros culturais?
Em primeiro lugar do ponto de vista regional não há nenhum equipamento que consiga ter esta polivalência. A ideia de poder fazer desporto, concertos, congressos de grande porte. Termos três a quatro espaços que podem ser dinamizados. Para alem da Sala Panorama que pode albergar 2300 pessoas sentadas e 5100 em pé, teremos a Sala Lustre que será focada numa cultura mais independente, outras músicas e eventos de média dimensão, com uma lotação de 600 a 1200 lugares. Temos ainda um pequeno auditório de 100 lugares e um Lobby que poderá ser usado para pequenas apresentações bem como exposições. Ou seja, é fácil perceber que a sua polivalência distingue-se de tudo o que há.
Que tipo de eventos estão previstos?
A programação prevista para este ano de 2025 assenta na diversidade de estilos bem como na diversidade de públicos-alvo. Uma direção artística de uma sala destas necessita de tempo para cimentar um estilo e uma ideia. É isso que quero fazer. Não fechar a porta a ninguém, mas ter um nível que nos permita ser distintos.
Quais são as principais metas para o primeiro ano de programação?
A principal ideia deste ano é conseguirmos dizer a todos que o Panorama existe e que será uma sala que trará a todos os que nos visitarem momentos de divertimento, entretenimento e enriquecimento cultural. É o inicio de tudo e precisamos de muita promoção para poderem olhar para nós como uma real alternativa cultural aos grandes centros urbanos.
Como poderá o Panorama influenciar Alcobaça e a região Oeste?
A descentralização é importante para poder dar-nos a conhecer a toda uma Indústria Cultural, Desportiva e Económica. Estando a pouco mais de uma hora de Lisboa, o Panorama pode ser uma alternativa para produtores de eventos começarem a descentralizar espectáculos, eventos corporativos e desportivos. Este aspecto é de extrema importância também do ponto de vista da rentabilidade financeira do espaço.

No discurso de apresentação falou em “trazer para Alcobaça o mundo e levar Alcobaça de volta ao mundo”, Quais são os eventos ou artistas internacionais que gostaria de trazer ao Panorama?
Se sonhar todos podemos é natural que sonhe alto… mas mais do que pensar em nomes específicos é tentar perceber o que o mercado nos propõe. Estar atentos ao que se faz e tentar ser um player importante nesse eixo entre Lisboa e Porto. Temos uma sala nova, com um excelente tratamento acústico, temos condições realmente apetecíveis para que a alternativa a grandes centros urbanos possa acontecer. O tempo será nosso fiel companheiro. Nada se faz bem se for feito em contra-relógio.
Que grandes eventos podemos esperar no Panorama nos próximos meses?
Teremos o Seu Jorge no dia 9 de agosto. A última etapa Campeonato Nacional de Skate para outubro, o funk do MC Kevinho para julho, uma maratona de bandas portuguesas para o ultimo trimestre e vamos organizar o Primeiro Grande Festival de Humor em Portugal no fim de semana de 21, 22 e 23 de Novembro. Destaco também a abertura oficial da nossa programação no dia 2 de maio com o Tim e o seu espectáculo — Canta-me Histórias. Mas mais coisas acontecerão.
O que o motivou a assumir a direção artística deste projeto? É a primeira vez que assume funções de direção artística e programador?
Desta dimensão sim. Fui gestor de um bar cultural que se chamava Clinic no início dos anos 2000. O que me motivou foi a paixão por fazer acontecer e também a paixão por Alcobaça. É uma coisa que não se explica.
Que desafios antecipa em gerir um espaço tão multifacetado como o Panorama?
Conseguir ter salas cheias. Conseguir fazer ver que a nossa oferta precisa de todos para que o futuro seja com mais e melhores eventos. Costumo dizer que no início temos de todos empurrar o Panorama, mas haverá um dia que o panorama nos transportará a todos… só falta um empurrão inicial. É normal.
Sendo alcobacense, antigo jogador de hóquei e músico, de que forma a sua experiência e ligação com Alcobaça e Oeste podem influenciar a sua visão e atuação no Panorama?
A música com os the gift durante as últimas três décadas deram-me muitas coisas boas. O facto de termos tocado em largas centenas de salas espalhadas por esse mundo fora deu-me uma visão muito sólida do que é aquilo de fazer ou gerir a cultura nos dias de hoje. É essa visão que quero espelhar no Panorama.
Quais são os principais desafios e oportunidades que prevê para o Panorama a longo prazo?
Dar-nos a conhecer, promover tudo o que se faz por lá, conseguir ter espaço nos media para um projecto que não é ainda conhecido, fazer com que as pessoas peguem no carro e vão até Alcobaça para um qualquer evento.
O que mais o entusiasma neste novo capítulo da sua carreira?
Poder dar momentos únicos a Alcobaça.
Como vai articular a direção com os The Gift? E para quando um concerto no Panorama?
Com menos horas de sono. De momento não temos planificado um concerto no Panorama, mas estaremos na Feira de São Bernardo para um concerto especial de celebração dos 30 anos de carreira, a 24 de agosto.

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